Tá dando onda! 2/3
- Nooon...- ele disse outra vez, se encostando no braço do sofá...folgado!- J’ai dit qu’il n’y a aucun moyen!!
(Já disse que não tem como!)
Mais um buf! E ele desliga. E se vira pra mim
- Quê?
- Nossa calma! Que cara é essa? Era a sua namorada era?
- Non! Mas... ai... obrigado pela ajuda, dona...- peraí, ele não lembrava meu nome?!
- Róósa.- eu disse com raiva
- Rosa... obrigado mesmo viu? De coraçón.- ele põe a mão no peito e eu faço careta pra conter a gargalhada
- De coraçón? Aham...sei.- rio
- Engraçadinha a senhora né?
- Você não faz idéia... Mas... E ai, conseguiu?
- Non... Me ferrei.
- Mas você...- apontei pro telefone
- Non adiantou nada... e o pior é que acho que minha conta no banco tá bloqueada...quero dizer, meu acesso sabe? A senha e tal... só na agência. E como eu vou pra uma agência daqui, onde ninguém me conhece, e sem os documentos, hã? Tô ferrado!
- Que barra ein... - mordo uma maçã, me encolhendo- Hm! Desculpa!- falo dentre os dentes- nem te ofereci comida... Mas sabe oque é? É que aqui nem deve ter nada de muito interessante pra comer não...
- Você non come é? Percebi porque você lembra aquela personagem do desenho lá... a Olívia...
- Olha!- Rio- Mas é que eu não tenho tempo pra comer sabe...
- E pra surfar tem?- ele sorri
- Ah nem me lembre... depois de taaanto tempo sem cair.. Você me aparece pra completar o meu desafortúnio!
- Isso non é linguajar de surfista...
- Ah... acho que nem sou mais viu... Virei prego.
- Hm?- ele riu ao mesmo tempo que seu rosto se contraiu numa careta
- bá... Esquece!- Asceno
Na cozinha me surpreendo com um jantar feito por quem, por quem?! Por ele!
- Aaaah tá me tirando!- rio, sentando de queixo caído
- Agora falou como surfista!- ele empurra minha cadeira
- Nooossa... quero dizer.., Você cozinha!
- Hahaha... Pois é... e esta é uma receita de família.
- Hm... Primeiro encontro e você me apresenta pra família?- rio- indiretamente... mas ainda é da família!
- Oh estou indo de pressa non é?- ele sorri
- Bobão!- balanço a cabeça e desfrutamos do jantar
- Quer dizer enton... que eu posso ficar hoje?
- É. No sofá tudo bem... mas vai lavar a louça! Ai estamos quites!
- Tudo bem... Mon Dieu...
Acordo com o som de risadas. Saio do quarto e ouço:
-Aaah não! Hahaha- era a risada de Janete
Entro no banheiro e depois de uns minutos estou na sala, calçando os sapatos
- Era pra rir?- Claude pergunta a Janete, que lhe estende um lenço
- Pra chorar. Agora vai, pode pondo porque você perdeu a aposta.
- Mas oque tá acontecendo?- sorrio, vendo Claude pegar o lenço
- Foi o jogo de futebol sabe...
- Você é fanática desde quando Jane?
- Desde que eu pude assistir um jogo todo ué... E agente escolheu cada qual um lado e o dele perdeeeeu!- ela ria
- Oww..- reviro os olhos- Mas que bobagem...
- Vai tomar café amiga... ainda dá tempo!- Jane pisca o olho e eu fico meio sem entender. Mas então tomo café junto com os dois e rio muito do lenço rosa bebê no pescoço de Claude
- E eu?
- Você oque?- pergunto
- Non vai me levar com você?
- Pra quê?! Eu preciso trabalhar sabia?!- pego a bolsa e começo a descer as escadas, ele me segue
- Eu preciso muito que você me leve... você disse que lá dá pra acessar a internet non é?
- Ai meu Deus porque essa droga de computador foi me quebrar logo agora...- resmunguei- Tudo bem... Mas olha, é melhor você ser discreto ein!- Viro e me dou conta de que NUNCA ele iria ser DISCRETO na vida!
- “kClárro”...- era de morrer de rir esse sotaque dele
- Mas só se disser de novo.
-O quê?
- Claro.
- “kClárro” oque?- ele me olhava sem entender, eu ri de novo- kClárro oque?!
- Ah, chega!- eu gargalhei de mais!
Entramos no carro e eis que, depois de muuito silêncio, ele finalmente pergunta:
- Você trabalha de quê?
- Nossa... valeu por perguntar. Mas acho melhor não dizer nada sabe...
- Mas porquê? É só... Curiosidade, hã?!
- Exato... e eu não tô nem um pouco a fim de satisfazer sua “curiosidade, HÃ?!”- Ri e ele balança a cabeça
- Eu descubro entóm.
- Claude... pega essa bolsa que está no banco de trás pra mim?- peço, entrando no estacionamento do prédio...
- Tá...- ele se vira pra pegar a bolsa- Non tem bom gosto mesmo hã?- ele se vira de volta, me apontando a bolsa transversal sem graça que eu comprei a taaanto tempo. E ele nem percebeu ainda onde estamos.
Entro sem dizer mais nada além de:
- Ora mais você também não tem esse bom gosto todo... a final, podemos citar o único exemplo que tenho, o de seu peculiar traje de banho!
Entramos pelos fundos, e no momento que visto o avental ele diz
- Ro...Ro...Rosa... Você é?
- Açougueira ? Ah, não.- rio,
- Dr. Serafina Rosa Petroni... -Ele lê meu crachá
- Ei! Tira a mão daí ô!- bato na mão dele e ele me olha estupefato
- Você....
- Pode usar aquele ali ó!- aponto o notebook na mesa- Mas não demora senão eu levo bronca
Ele senta e começa a mexer no computador...As vezes me olhando de lado
- Eu tô te atrapalhando né?
- Não... por enquanto não...- respondi sem tirar os olhos dos prontuários que eu tinha nas mãos- Estou um tanto adiantada sabe...
- Mon Dieu..- ele suspirou, baixando a cabeça
- Que foi?
- Nada é que... Non consigo mexer na minha conta sabe... estou preocupado porque parece que congelaram ela...
- E porquê fariam isso? Aliás, quem pode fazer isso?
- Ah é uma longa história...urum!-ele tossiu- ai...
- Vai ficar bem?- o olhei nos olhos
- Vou sim. Mas... Eu tenho que voltar pra Son Paulo...
- Agente dá um jeito, não se preocupe.
- Obrigado... doutora...- sorriu
Claude ficou um bom tempo no corredor, lendo revistas velhas e tomando o café horrível que uma enfermeira lhe ofereceu. Não nos falamos mais e depois de algumas horas, sai e não o achei mais.
Procurando pelo hospital o encontro com um menino no colo, cena cômica, os dois se olhando com cara de espanto. Eu cruzo os braços e pigarreio
- Hum... achei.
Uma mulher aparece e agradece a Claude, pegando o menino do colo dele.
Eu fico o encarando com a sombracelha arqueada
- é.é.é... Ela...pediu sabe... ela foi... no...
- Tudo bem, vem logo!- agarro sua mão e o arrasto pro carro
- Vamos onde?
- Pra onde você tem que ir?
- Hã...
-São Paulo, horas!
- Vai me levar?
- Até a rodoviária.
- Oque?!
- Que foi? Você vai pra casa... ah, não me diga nunca andou de ônibus...
- Aw me respeite... Non é isso... Mas achei que ia comigo...
- Sinto desapontá-lo.- sorrio, parando o carro- Chegamos!
-Ah Rosa...
- Quê?..
- Obrigado de novo...- ele pega minha mão- Desculpa qualquer coisa e....
- Tá tudo bem.- sorrio. Saímos do carro, compramos a passagem
- Então...
- Você me deixa aqui.
- É. –sorrio
- Oh non... Voltando pra minha realidade cruel...
- Nossa mais que drama!
- Você nem faz idéia.
- Ah, você deve estar sentindo falta da sua família, não?
- É...- ele abaixa a cabeça
- Bom, eu tenho que ir, meu horário de almoço tá acabando...
- Rosa?- ele segura minha mão
- Quê?
- Hã...- ele me olha por um segundo, e me beija a bochecha- Obrigado de novo...
Sorrio, e entro no carro.
- Non tem tempo pra mim non é?- ele sorri
- Cest moi.... pas le temps pour rien...ni personne!- rio, arrancando com o carro
(Esta sou eu.. Sem tempo pra nada... nem pra ninguém!)
- Ei ! Ei ! Rosa ! – ele correu alguns metros atrás do carro, mas eu não parei, e o deixei ir...
up!
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